BLOG

O carioca Marcos Chaves apresenta ao público mineiro um recorte de 20 anos de sua produção artística, entre 1996 e 2016, composto por fotografias e uma obra em vídeo. Trabalhando sobre os parâmetros da apropriação e da intervenção, sua obra é caracterizada pela utilização de diversas mídias, transitando livremente entre a produção de objetos, fotografias, vídeos, desenhos, palavras e sons.  “Ele une a poesia, o ritmo e o humor na sua obra para criar”, comente o curador Wilson Lazaro.

O artista faz da palavra, do humor e da crônica fotográfica seus instrumentos para colocar em questão as incertezas, suas e coletivas, e desafiar as certezas do mundo. O uso do texto em seu trabalho abre diferentes significados, ampliando as possibilidades de leitura e percepção de situações, às vezes bastante simples e óbvias. “O texto pode propor leituras mais complexas, dobras, propiciando ao expectador acesso a outras possíveis interpretações do assunto em questão. Às vezes com a supressão de uma vírgula, um acento ortográfico ou mesmo a eliminação do espaço entre as palavras, procuro dar visibilidade a uma nova maneira de observar o que parecia ser o óbvio ou o clichê”, afirma Chaves.

Uma das obras mais conhecidas do artista, que trabalha justamente o texto e suas camadas de significados em diálogo com a fotografia, está presente na dotART galeria: “Eu só vendo a vista”, de 1998. “Nesta obra, a junção da frase ‘Eu só vendo a vista’ com a fotografia da Baía de Guanabara, principal cartão postal carioca, é uma síntese da cidade, sobre ser carioca, ser artista no Rio. Sobre o mercado, no caso o da arte e o imobiliário”, finaliza.